Alfredo Henrique

Secretário Nico instaurou Conselho de Justificação contra Geraldo Leite Rosa Neto, preso e réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele

Alfredo Henrique

11/09/2026 04:30

PM Gisele: processo aberto por delegado Nico avança contra coronel preso

O Conselho de Justificação que pode levar à perda do posto e da patente do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, avançou no último 3 de setembro. O presidente do colegiado pediu à Justiça acesso às provas do processo criminal contra o oficial para utilizá-las também no julgamento administrativo — que será retomado no próximo dia 14, às 9h, por videoconferência.

O procedimento foi instaurado em 31 de março pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, que determinou “submeter” Geraldo ao Conselho e nomeou três coronéis para compor o grupo. A documentação passou a constar nos autos do processo criminal no fim da tarde de quarta-feira (9/9).

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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro
Arquivo Pessoal
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Tenente-coronel teve prisão decretada por morte da esposa, a PM Gisele
Arquivo pessoal
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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento
Arquivo Pessoal
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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
Arquivo Pessoal
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Soldado foi ferida com a arma do marido
Arquivo Pessoal
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Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas
Arquivo Pessoal
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PM Gisele: novos depoimentos podem levar à expulsão de tenente-coronel
Arquivo Pessoal
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Gisele foi encontrada morta em fevereiro
Redes Sociais/Reprodução
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Arte/Metrópoles
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Gisele Alves Santana
Reprodução/Redes Sociais
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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto monitorava conversas de Gisele Alves
Reprodução
Geraldo está preso desde 18 de março, quando foi detido pela Corregedoria da PM em São José dos Campos, no interior paulista, e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. A própria representação do comando da PM afirma que os elementos reunidos indicam “fortes indícios” de que ele teria sido o responsável pelo disparo que matou Gisele.
Provas emprestadas
No ofício de 3 de setembro, obtido pela coluna, o presidente do Conselho, coronel Carlos Alexandre Marques, solicita à 5ª Vara do Júri acesso ao processo criminal na forma de “prova emprestada”. Ou seja, o Conselho quer usar no processo disciplinar provas já reunidas e discutidas na ação penal contra Geraldo.
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O Conselho de Justificação funciona como uma espécie de julgamento administrativo sobre a permanência de um oficial na corporação. Geraldo terá direito à defesa e à produção de provas. Uma eventual conclusão desfavorável não retira automaticamente sua patente, mas pode levar, em etapas posteriores, à perda dela e do posto.
Depoimento adiado três vezes
Na Justiça comum, Geraldo responde pelo feminicídio de Gisele. Seu interrogatório foi adiado pela terceira vez após a defesa pedir novas diligências e complementação da perícia. O depoimento, antes previsto para 8 de setembro, foi remarcado para 5 de outubro.
Gisele foi encontrada caída no chão da sala do apartamento onde vivia com Geraldo, no centro da capital, com uma pistola junto à mão direita e grande quantidade de sangue ao redor da cabeça. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
Versão sob suspeita
Geraldo afirmou que, após uma discussão com a esposa, entrou no banho, ouviu um barulho e encontrou Gisele caída ao sair do banheiro. Para a PM, porém, a versão não se sustenta diante das provas reunidas.
O disparo teria ocorrido por volta das 7h28, enquanto os primeiros contatos com os serviços de emergência ocorreram cerca de 29 minutos depois. Nesse intervalo, segundo a representação, o coronel tentou falar com terceiros, entre eles um oficial superior e um desembargador.
A corporação cita ainda imagens do condomínio nas quais Geraldo aparece primeiro ao telefone e depois com os cabelos molhados, além de registros de câmeras corporais mostrando que ele manifestou intenção de tomar banho e trocar de roupa durante o atendimento.
Policiais o advertiram a não fazer isso para preservar possíveis provas. As orientações, porém, não foram ouvidas, como consta ainda nos registros das câmeras corporais.


