Mario Sabino

Ministro Edson Fachin, do STF - Metrópoles
Ministro Edson Fachin, do STF - Metrópoles · Imagem: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Se não houver reviravolta da sua parte, Fachin fará história no STF como o presidente que não teve medo de enfrentar o corporativismo

Fachin usa o melhor detergente, a luz do sol, para fazer história no STF
Fachin usa o melhor detergente, a luz do sol, para fazer história no STF · Imagem: Source: www.metropoles.com

Mario Sabino

11/09/2026 11:23

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Se não houver inesperada reviravolta da parte dele, Edson Fachin fará história no STF como o presidente que não teve medo de enfrentar o corporativismo no momento da maior crise moral da Corte em 195 anos de existência.

Até anteontem, ele parecia ser o homem errado no lugar errado na hora errada. Mas a sua demora em agir, agora fica claro, foi por respeito aos ritos na tentativa de ser exemplo a quem vinha depredando todos os códigos de comportamento, e não apenas do Supremo, mas da própria convivência em uma sociedade que se pretende honesta e civilizada.

Ao ter a sua autoridade como presidente afrontada diretamente pela decisão destrambelhada de Flávio Dino de reintegrar o diretor-geral da PF, Edson Fachin agiu inapelavelmente.

Neste momento, o presidente do STF aplaina o caminho para o julgamento que definirá se Alexandre de Moraes passará à condição de investigado no caso Master.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

O ministro encrencado e os seus defensores querem criar confusão, enfiando na pauta o caso artificial de abuso de autoridade criado por eles contra Mendonça, para desviar o julgamento do seu verdadeiro assunto: a relação promíscua de Moraes com Daniel Vorcaro.

Para fechar o foco no que realmente importa, Fachin solicitou a Mendonça que abrisse o sigilo de parte da investigação que revelou que Moraes era mesmo o interlocutor das já famosas mensagens de WhatsApp enviadas pelo fraudador.

Investigação que só precisou ser feita, repita-se, porque o ministro mentiu quando as primeiras mensagens vieram à tona, no início de março, ao dizer que não era ele o destinatário dos pedidos de Vorcaro por blindagem na PF e na PGR. Mentira na qual Moraes deverá reincidir.

Sigilo levantado, os brasileiros têm, agora, o direito de saber não apenas detalhes do que foi apurado sobre a parceria entre Moraes e fraudador, como de ver esclarecido um ponto com o qual o ministro e os seus defensores pretendiam politizar o julgamento: o da suposta parcialidade de Mendonça em relação ao envolvimento de Flávio Bolsonaro no caso Master.

Na verdade, desde julho, por autorização de Mendonça, o filho de Jair, candidato a presidente da República, vinha sendo alvo de investigação sigilosa, pedida pela PF e avalizada pela PGR, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no episódio de financiamento do filme Dark Horse.

No entanto, ao contrário do que ocorre com o processo que está nas mãos de Flávio Dino, a PF sentou em cima do material enviado a Mendonça e nunca pediu nenhuma diligência. Pergunte-se retoricamente a Andrei Rodrigues o motivo da preferência por Flávio Dino.

Cai por terra, assim, a acusação dos detratores de Mendonça e fica mais liso o caminho para o julgamento sobre o destino de Moraes.

Outro ponto importante: nada do que está sendo publicado sobre o envolvimento de Dias Toffoli com Daniel Vorcaro figura nos autos do processo que está no gabinete de Mendonça.

O relatório da PF que traz a suspeita de que o ministro era o proprietário, de fato, do fundo de investimentos por meio do qual o cunhado de Vorcaro adquiriu as cotas do resort Tayayá havia sido arquivado por Fachin em fevereiro, quando tiraram Toffoli da relatoria do caso Master. Ali, sim, um ministro do STF havia sido investigado sem autorização do plenário do Supremo.

Nunca coube a Mendonça ter a iniciativa para investigar Toffoli, não só porque não é esse o seu papel, como porque que ele nunca teve nada a respeito do colega nas mãos.

Fachin lança mão do melhor detergente, a luz do sol, para fazer história no STF.